
O anúncio da criação do Ministério da Segurança Pública, em gestação pelas autoridades governamentais, é uma medida necessária e aguardada por todos os brasileiros. No entanto, criar a pasta é a parte mais fácil. A parte difícil é dar-lhe estatura.
O Brasil não precisa de mais um ministério aparelhado por interesses político-partidários ou por nomes que buscam holofote na militância digital. Precisamos de um Ministério com autoridade moral, técnica e de gestão.
A segurança pública é hoje o maior drama das famílias brasileiras. E o Ministro que vier a ocupá-la precisará preencher requisitos específicos e inegociáveis:
Primeiro, experiência real em gestão de crises e comando. Não basta teoria. É preciso ter vivido a tropa, a secretaria, o sistema prisional. Saber que operação mal planejada custa vidas. E, sobretudo, ter coragem técnica para enfrentar um tema espinhoso: as vantagens e desvantagens, a correta logística e os custos econômicos da transformação da Guarda Civil em Polícia Municipal nos mais de 5.000 municípios do nosso país. É um debate que não pode ser feito com improviso ou ideologia. Tem impacto orçamentário, jurídico e humano.
Segundo, profundo conhecimento constitucional. Para compreender que a legítima defesa da sociedade termina onde começa o excesso do Estado. O direito não socorre quem excede. Reagir com agressão desmedida, como se agressão corrigisse erro, é inaceitável. Nenhum erro justifica outro.
Terceiro, capacidade de integração federativa. Segurança pública se faz no município, na rua, no distrito, na zona rural. Sem diálogo respeitoso com Governadores e Prefeitos, não há resultado. Evitar o confronto institucional é sabedoria e inteligência.
Quarto, e mais importante, visão de Pedagogia Social e Inteligência Emocional. O combate ao crime organizado precisa ser implacável, com inteligência e asfixia financeira. Mas a prevenção precisa ser humana. O fanatismo e o vício são os grandes cárceres da mente dos nossos jovens. Quem está mergulhado na ansiedade da violência, do crime ou das drogas, não está bem, está aparentemente doente. E quem está doente precisa de tratamento, de escola, de trabalho digno e de oportunidade, não apenas de cadeia.
O fanatismo, seja ele de que lado for, adoece a sociedade.
O Brasil cansou de bravatas. A campanha política acabou. O que as famílias admiráveis deste país, construídas em bases sólidas de trabalho e caráter, esperam, é voltar a ter paz para trabalhar, para ir à igreja e para ver seus filhos voltarem para casa em segurança.
Que as autoridades tenham a sabedoria de escolher não um político, mas um estadista.
Graça e paz!
*Osvaldo Soares Filho é cidadão eunapolitano, ex-vereador por quatro mandatos consecutivos e ex-Presidente da Câmara Municipal de Eunápolis.