Bahia, 06 de Outubro de 2026
Por: A Gazeta Bahia
06/10/2026 - 14:30:55

Um áudio que passou a circular nas redes sociais do Extremo Sul da Bahia vem provocando repercussão e mal-estar entre indígenas da Aldeia Barra Velha e de outras comunidades da região.

Na gravação, uma mulher identificada como Erilza, conhecida como Uruba, apontada como vice-cacique da Aldeia Barra Velha, faz declarações direcionadas aos indígenas e afirma, segundo o conteúdo que circula, que aqueles que forem identificados como não tendo votado no presidente Lula nas eleições do último domingo, dia 4, poderiam ser expulsos da comunidade, além de fazer referência ao “caminho dos infernos”.

O conteúdo do áudio, cuja autenticidade e contexto precisam ser oficialmente apurados, provocou preocupação entre moradores da comunidade e levantou questionamentos sobre eventual tentativa de constranger indígenas em razão de sua escolha eleitoral.

A liberdade de escolha do eleitor é protegida pela legislação eleitoral. O artigo 301 do Código Eleitoral estabelece que usar violência ou grave ameaça para coagir alguém a votar, ou não votar, em determinado candidato ou partido constitui crime, com pena de reclusão de até quatro anos e pagamento de multa.

Diante da repercussão, o caso poderá ser levado ao conhecimento das autoridades competentes para que sejam verificadas a autenticidade da gravação, a identidade da pessoa que aparece no áudio, o contexto das declarações e eventual existência de ameaça ou constrangimento eleitoral.

O episódio também reacende o debate sobre o respeito à liberdade política dentro das comunidades indígenas. O voto é individual, secreto e não pode ser utilizado como instrumento de intimidação ou retaliação.

Até o momento, não há informação, no material apresentado, sobre eventual manifestação oficial da vice-cacique ou das lideranças da Aldeia Barra Velha a respeito do conteúdo da gravação.

Veja + Notícias/Geral