Bahia, 26 de Agosto de 2026
Por: G1
26/08/2026 - 17:21:45

Uma empresária de 31 anos morreu ao fazer uma cirurgia plástica em Ilhéus, no sul da Bahia, na madrugada desta quarta-feira (26). Ainda não há informações sobre a causa da morte.

Adriele da Silva Pinto morava nos Estados Unidos e viajou para o Brasil para fazer quatro procedimentos estéticos: mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma. Segundo familiares, o médico responsável pelos procedimentos foi o doutor Rossini Tebaldi Ruback, que em 2023 foi alvo de denúncias feitas por pacientes. Na ocasião, diversas mulheres o acusaram de erros e cirurgias mal feitas.

Segundo o advogado da família, Adriele entrou na cirurgia às 15h de segunda-feira (25) e a cirurgia deveria ser finalizada às 20h. A família foi informada sobre a morte da empresária na madrugada deste terça, após cobrar por notícias sobre a demora do procedimento.

Ainda segundo o advogado, o hospital informou que a paciente passou mal durante a cirurgia e, devido a suspeita dos familiares, um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia. Ao ler o relatório médico, o advogado afirmou que o atestado de óbito não foi assinado por Rossini Tebaldi Ruback, médico responsável pela cirurgia.

Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) afirmou que não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite o médico responsável pelo procedimento cirúrgico.

O g1 também entrou em contato com a Polícia Civil e aguarda reposta. Sobre antigas denúncias, o Conselho informou que os resultados foram comunicados às partes envolvidas, sendo preservado o sigilo processual previsto no Código de Processo Ético-Profissional (CPEP).

O Cremeb detalhou ainda que eventuais sanções de caráter público contra o médico serão divulgadas por meio do site do conselho e Diário Oficial da União. Também por meio de nota, a defesa do médico Rossini Tebaldi Ruback se solidarizou com a morte da empresária e destacou que o procedimento cirúrgico transcorreu sem intercorrências.

Entretanto, na fase final do procedimento, a paciente teria apresentado, subitamente, uma alteração grave do quadro clínico. Com a identificação da situação, a defesa aponta que as medidas de emergência foram imediatamente adotadas.

Porém, a paciente não respondeu aos esforços da equipe médica e faleceu. "Trata-se de reação imprevisível, que não guarda relação com a técnica cirúrgica empregada e que não é detectável por exames pré-operatórios de rotina", apontaram.

Confira a nota na íntegra:

"NOTA PÚBLICA À IMPRENSA

Na condição de assessoria jurídica do médico responsável pelo procedimento cirúrgico noticiado, e diante das solicitações de posicionamento recebidas de veículos de comunicação, vimos prestar os seguintes esclarecimentos.

Antes de tudo, registramos a mais sincera e profunda solidariedade de nosso cliente aos familiares e amigos da paciente. A perda de uma vida é sempre dolorosa, e o é igualmente para os profissionais que participaram do atendimento e empenharam todos os esforços na tentativa de preservá-la.

É preciso esclarecer, de forma categórica, que o procedimento foi realizado no interior de unidade hospitalar regularmente licenciada e em pleno funcionamento, em centro cirúrgico habilitado, com utilização da estrutura assistencial e do corpo profissional da própria instituição, e com o acompanhamento de médica anestesiologista durante todo o ato.

Nosso cliente é médico cirurgião plástico, regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina e com registro de qualificação de especialista na área correspondente ao procedimento realizado. Trata-se de informação pública, verificável de forma imediata junto ao próprio Conselho. Quanto ao ocorrido, o ato cirúrgico transcorreu integralmente sem intercorrências.

Já em sua fase final, após concluído o procedimento, a paciente apresentou, de forma súbita e inesperada, alteração grave de seu quadro clínico. Conforme registrado em prontuário, os sinais foram prontamente identificados pela equipe de anestesiologia como compatíveis com hipertermia maligna, condição rara, grave e potencialmente fatal, decorrente de suscetibilidade individual à exposição a determinados agentes utilizados em anestesia.

Trata-se de reação imprevisível, que não guarda relação com a técnica cirúrgica empregada e que não é detectável por exames pré-operatórios de rotina. Identificado o quadro, foram imediatamente adotadas as medidas de emergência recomendadas, com administração da medicação específica e das manobras necessárias à estabilização da paciente, contando ainda com a participação de médico cardiologista nos esforços de socorro.

A despeito da identificação imediata, do tratamento específico instituído e de todos os esforços da equipe assistencial, lamentavelmente a paciente não respondeu às medidas terapêuticas e evoluiu a óbito. Toda a assistência prestada, a evolução do quadro clínico, as medicações administradas e as providências adotadas encontram-se integralmente registradas e documentadas.

Nosso cliente permanece integralmente à disposição da família, das autoridades competentes e dos órgãos de classe para prestar, com absoluta transparência, todos os esclarecimentos necessários e colaborar com a apuração das circunstâncias do ocorrido.

Por respeito à memória da paciente, à dor de seus familiares e ao dever de sigilo que recai sobre as informações médicas, outros detalhes de natureza clínica não serão divulgados publicamente neste momento.

Por fim, renovamos a solidariedade de nosso cliente aos familiares e amigos da paciente diante de perda tão dolorosa, e pedimos responsabilidade na divulgação de informações ainda não apuradas, bem como respeito à dor de todos os envolvidos. Ilhéus.

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