
Faltando pouco mais de um mês para as eleições, chama a atenção o silêncio das principais entidades representativas da sociedade diante de um dos problemas que mais afligem a população da Costa do Descobrimento: a violência.
Eunápolis aparece entre as cidades mais violentas do Brasil, e a realidade não é diferente em outros municípios da região. A população vive sob o medo, a insegurança e o temor, enquanto o debate sobre segurança pública parece ocupar pouco espaço na agenda dos candidatos.
Está faltando uma iniciativa concreta por parte de entidades como lojas maçônicas, Rotary, Lions, associações, sindicatos e Câmaras de Vereadores: a elaboração de uma carta-compromisso a ser apresentada aos candidatos a governador e aos postulantes aos cargos de deputado estadual e federal.
O documento poderia reunir as principais reivindicações da sociedade e traduzir, de forma clara, o sentimento de uma população sofrida, que deseja viver em uma região onde o direito de ir e vir, trabalhar e criar os filhos não esteja permanentemente ameaçado pela violência.
O combate à criminalidade precisa estar acima de discursos eleitorais, promessas de ocasião e disputas partidárias. Os candidatos precisam ser chamados ao debate e, principalmente, a assumir compromissos públicos com a Costa do Descobrimento.
Mais do que fotografias, palanques e discursos durante a campanha, a população precisa saber o que cada candidato pretende fazer pela segurança da região caso seja eleito.
O engajamento das entidades é fundamental. Uma carta-compromisso assinada pelos candidatos representaria não apenas uma cobrança, mas também um registro público daquilo que foi prometido à população.
Depois das eleições, a sociedade poderá cobrar: quem assinou, quem prometeu e quem realmente cumpriu?
A Costa do Descobrimento precisa deixar de ser apenas território de votos. Precisa ser, também, território de compromissos.