Bahia, 23 de Janeiro de 2026
Por: Por BK2
20/02/2024 - 06:37:06

Primeiro evento do gênero na região este ano, o escritor, historicista e jornalista Roberto R. Martins, lança no próximo dia 1º de março, seu novo livro impresso, um romance histórico ambientado na região Sul da Bahia, tendo como enredo a atuação dos utilizadores da clavina como ferramenta de trabalho dentro da cultura do cacau, reunindo jagunços, coronéis, ex-escravos e indígenas, personagens com cadeira cativa na memória afetiva de milhares de brasileiros.

“OS CLAVINOTEIROS DE BELMONTE – Uma história dos cangaceiros do cacau”, vai às livrarias pelas mãos de jovens editores, marcando a chegada da nova literatura do Sul da Bahia.

O conceito literatura nova é principalmente em razão de ela ser produzida com instrumentos e cenários inexistentes em outras épocas. Também por conta das exigências de diferentes públicos, ante as perspectivas trazidas pela diversidade de tecnologias e a infinidade de informações e acessórios disponíveis e pesquisáveis na atualidade, considerando ainda as inúmeras transições nos campos social, político e econômico que agora impactam as publicações.

O autor rompeu as etapas de publicação sem os impedimentos, entraves mercadológicos e surpresas de outras épocas. Diferente de experiências anteriores, desde o início conceituou que o livro é antes de tudo um produto. Neste sentido, ao mesmo tempo em que escrevia, Martins superava o tradicional, transpondo barreiras burocráticas e financeiras com ajudas que não existiam antes das novas tecnologias de edição.

O resultado é um texto responsável e contemporâneo, capaz de induzir o leitor a um mergulho na história, onde estão os fatos relatados em prosa fluída sem medo, sem censura ou autocensura. Para Roberto R. Martins o leitor pode usufruir disso tudo sem se deslincar da atualidade.

CLAVINOTEIROS, JAGUNÇOS, CANGACEIROS DE BELMONTE, NO SUL DA BAHIA

Objeto de poder dos coronéis do cacau, que a utilizavam através das ações dos seus jagunços alugados, a clavina ocupa um lugar decisivo na história dos “Clavinoteiros de Belmonte”, assim como o fuzil, a pistola 9mm e o cassetete reinam no cangaço oficial da atualidade.

A clavina era um tipo de espingarda de cano curto, da época, parecida com a escopeta, a qual facilitava o uso pelo atirador, especialmente quando ele estava montado e a galope em seu cavalo. O texto é narrado em primeira pessoa, exercício que às vezes é alterado circunstancialmente para levar o leitor ao reconhecimento do mundo real daquela época que ainda é identificável na atualidade. Mesmo com a clavina em mãos de terceiros, os coronéis fizeram o diabo no interior da Bahia, com o apoio implícitos dos governantes de plantão.

De lambuja, o texto dá uma boa sacudida naqueles de todas as faixas etárias e classes sociais, alimentados compulsoriamente com mensagens telegráficas cards de conteúdos discutíveis.

No desenrolar, os clavinoteiros liderados por Argemiro, a serviço do malvado coronel Zé Capião, irmão do advogado Cesar Meneghetti, ambos filhos do coronel Juvenal Meneghetti, um dos primeiros exploradores a chegar a esta região, são personagens centrais da história que atravessa gerações, em tempos de disputas que envolvem, além dos próprios jagunços, cangaceiros, clavinoteiros, os ex escravos, índios botocudos, retirantes, e subliminarmente a classe política da Bahia, à qual os coronéis eram alinhados e mandantes contumazes.

Neste ponto outra vez se evidencia a crítica social e política do autor, ao traduzir aspectos de um tempo onde os direitos eram propriedade dos coronéis, que reinavam absolutos, definindo as relações sociais da época ao impor e usufruir de regras que avançavam sobre direitos gerais individuais e específicos direitos da personalidade, a exemplo do direito à primeira noite com a noiva, (jus primae noctis) ato a que fazia jus o machista coronel, simplesmente por ser coronel, dono das propriedades, dono das instituições, dono das leis, praticamente dono das pessoas a seu serviço.

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