
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), pré-candidato ao governo da Bahia, confirmou que uma de suas empresas recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de recursos Reag.
O valor consta em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ao Metrópoles, ele afirmou que o montante é referente a serviços de consultoria.
Segundo o Coaf, os recursos foram repassados após as eleições de 2022, em dezembro daquele ano, e entre março de 2023 e maio de 2024. A empresa tem como atividade principal prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial” e como atividade secundária uma atuação “de apoio à educação”.
“Identificamos que, no período analisado, a empresa movimentou recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”, diz o documento do Coaf, vinculado ao Banco Central.
-Junho de 2023 a maio de 2024, a empresa recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove do Master. Total: R$ 2,9 milhões;
-ACM Neto recebeu da sua própria empresa R$ 4,2 milhões em 14 repasses;
-Em março e em junho de 2023, a A&M recebeu R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag.
Procurado pelo Metrópoles, ACM Neto ressaltou que prestou o serviço quando não exercia mais nenhum cargo público e constituiu a empresa A&M Consultoria LTDA.
“A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, entre eles o Banco Master e a Reag. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, explicou.
ACM Neto acrescentou que, no período do contrato, não existia nenhum fato que desabonasse as empresas citadas, “sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado”.
Ele destacou que está “totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado.”
“De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento”, concluiu.
Reag investigada
O ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, ficou em silêncio durante depoimento da CPI do Crime Organizado , nesta quarta-feira (11/3). O direito foi concedido pelo ministro Flávio Dino Supremo Tribunal Federal (STF).
A Reag entrou na mira da Polícia Federal por suspeita de irregularidades no sistema financeiro e a atuação de nomes ligados à antiga estrutura da gestora no suposto esquema de fraudes do Master. Fundada em 2012, a empresa teve crescimento acelerado no mercado de gestão de patrimônio e chegou a administrar cerca de R$ 341,5 bilhões.
Segundo a investigação, a companhia teria atuado na estruturação e administração de fundos suspeitos de movimentar recursos de forma atípica, inflar resultados e ocultar riscos. Os indícios são de fraude e lavagem de dinheiro.