
Comunicados de autoridades monetárias não costumam trazer muita clareza ou comprometimento, afinal, não cravar algo é uma forma de se proteger em uma necessidade para manobrar os juros.
Essa característica típica dos bancos centrais não raramente traz mais incertezas do que segurança ao mercado, quando um mesmo parágrafo é interpretado de forma diferente pelos analistas do mercado.
Nesta quarta-feira (5) não deve ser diferente. O resultado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC (Banco Central) já é praticamente unanimidade: corte de 0,25 ponto, recuando a Selic para o patamar de 14% ao ano.
A atenção se voltará para o que o comunicado tem a mostrar, com investidores buscando com lupa alguma pista que a cúpula do BC possa ter deixado sobre os próximos passos da política monetária.
Esse esforço deve ser ainda maior com a mudança de percepção do mercado para os juros futuros.
Agora, a percepção está em juros fechando 2026 em 13,75% ao ano. Ou seja, além do corte esperado de 0,25 ponto nesta quarta, haveria espaço para mais uma tesourada de mesmo tamanho.
Até cinco semanas antes, as apostas estavam em apenas este corte, com os juros fechando o ano em 14%.
Prévia da inflação abre brecha para juros mais baixos
Segundo as Opções do Copom da B3 - contratos derivativos listados na bolsa que permitem negociar a variação da Taxa Selic - o mercado passou a ver mais um corte na Selic no encontro do Copom entre os dias 15 e 16 de setembro.
Dados do começo desta semana mostraram que a probabilidade de corte de 0,25 ponto está em 66%, enquanto 28% esperam pela manutenção dos juros em 14%. Queda mais robusta, de 0,5 ponto, é minoria, com 7% dos contratos.
Olhando os números, se percebe que essa mudança de percepção se deu no dia 28 de julho, mesmo dia que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a prévia da inflação do mês havia sido de alta marginal de 0,06% - bastante abaixo do esperado pelo mercado.
Em 12 meses, o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15) foi de 4,52% - beirando a banda mais alta do limite da meta.
O BC persegue inflação com meta de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo (1,5% - 4,5%).