
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, tem sido orientado a baixar o tom no debate da TV Globo, na próxima sexta-feira (23), e deixar espaço para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parta para o ataque.
À CNN, aliados mais comedidos afirmam que Flávio precisa ser “menos Pablo Marçal” e não pode “perder a linha” no último confronto antes da votação. O empresário, que disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024, passou a ser ouvido como conselheiro na campanha presidencial do senador.
A avaliação é que, a dois dias de os brasileiros irem às urnas, Flávio não pode correr o risco de aumentar sua rejeição entre os indecisos ou desagradar eleitores que já declaram voto nele, mas ainda sem convicção.
O conselho é que cabe a Lula, que saiu atrás no primeiro turno, adotar uma postura mais agressiva na tentativa de enfraquecer o adversário. Há também o receio de que Flávio transmita uma imagem de arrogância ou passe a impressão de que já considera a eleição vencida.
A orientação ganhou força após o debate do último domingo, na Band. Flávio começou o confronto com um gesto de cordialidade, ao cumprimentar Lula, mas, ao longo do programa, adotou um tom de ataque e deboche que desagradou aliados.
Segundo análises qualitativas citadas por integrantes da campanha, a postura incomodou eleitores que esperavam ver a versão de um Bolsonaro moderado, apresentada ao longo da disputa.
A preocupação também é alimentada pela estratégia da campanha petista, que tem explorado o comportamento de Flávio para questionar sua postura como candidato à Presidência. Em contraponto, Lula busca se apresentar como um político experiente e preparado para exercer o cargo.
Para o debate da Globo, a orientação é que Flávio adote uma postura mais propositiva, rebata as acusações de que pretende cortar programas sociais, como o Bolsa Família, e volte a insistir no discurso de mudança, apresentando propostas para o custo de vida da população e a segurança pública.
Isso não significa, porém, abandonar os ataques a Lula. O senador deve continuar explorando denúncias envolvendo o filho do presidente, conhecido como Lulinha, e resgatar escândalos de corrupção de governos petistas, como o mensalão e a Lava Jato.
Flávio também é aconselhado a se preparar para cobranças sobre a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, tema que Lula transformou em uma das principais armas contra o adversário nesta reta final.
Na noite desta terça-feira (20), o presidente condicionou sua participação no debate da Globo à apresentação de uma autorização de Flávio para a liberação dos próprios sigilos e dos de seus familiares.
“E se ele [Flávio Bolsonaro] apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir no debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão, esse é o dado concreto”, disse Lula durante caminhada entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), ao lado de apoiadores.