
Faltando apenas sete dias para a eleição, o brasileiro se depara com um dos pleitos eleitorais mais conturbados dos últimos anos. Uma campanha política que, em muitos momentos, parece extremamente distante dos anseios do eleitorado, marcada pela falta de propostas concretas para enfrentar os problemas que afetam milhões de brasileiros.
A disputa presidencial chega à reta final cercada por episódios que pouco contribuem para o debate sobre o futuro do país. Ataques pessoais, notícias falsas, populismo, medidas anunciadas às vésperas da eleição e até o uso da fé e de símbolos religiosos passaram a ocupar espaço em uma campanha que deveria estar concentrada em economia, saúde, segurança, educação, emprego e desenvolvimento.
Na Bahia, a disputa pelo Governo do Estado também chega aos últimos dias em um cenário de forte polarização. De um lado, ACM Neto; do outro, Jerônimo Rodrigues. O debate, porém, muitas vezes fica restrito à disputa política, enquanto questões fundamentais para o futuro dos baianos acabam ficando em segundo plano. A população precisa conhecer, com clareza, quais são os projetos, prioridades e compromissos de cada candidatura.
Nas campanhas para deputado estadual e federal, o cenário não parece muito diferente. Em diversas regiões, o debate sobre propostas perde espaço para carreatas, caminhadas, carros de som, motocicletas e grandes mobilizações vazias. A demonstração de força eleitoral ocupa as ruas, mas nem sempre vem acompanhada da apresentação de projetos capazes de responder às demandas reais da população.
E é nessa atmosfera que chegamos ao dia 4 de outubro.
O eleitor brasileiro não precisa apenas de barulho, bandeiras, eventos e discursos inflamados. Precisa de propostas. Precisa saber o que cada candidato pretende fazer, como pretende fazer e de onde virão os recursos para colocar seus projetos em prática.
Uma eleição não deveria ser apenas uma disputa pelo voto. Deveria ser também um momento de reflexão sobre o país, o estado e os municípios que queremos construir.
Quando as propostas desaparecem e os ataques ocupam o centro do palco, abre-se um perigoso vazio entre candidatos e eleitores. E desse vazio nasce a descrença.
Ao eleitor, resta fazer aquilo que a democracia exige: ouvir, comparar, questionar e decidir com consciência. Afinal, depois que as carreatas terminarem, os carros de som forem desligados e os palanques forem desmontados, será a população que continuará enfrentando os problemas que ficaram sem resposta durante a campanha.