
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mensagens em que o empresário manda esconder aeronave usada no transporte do senador Jaques Wagner (PT-BA), orientando que o avião fosse levado para hangar “que ninguém conheça” e retirado rapidamente da Bahia.
As informações constam em documento tornado público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito do caso Master, derrubar o sigilo da ação que apura as possíveis ligações do senador com o Banco Master.
Os investigadores encontraram mensagens de 11 de setembro de 2024 em que Vorcaro questiona José Alfredo Berg Filho, conhecido como Berg, sobre o motivo de uma aeronave com Jaques Wagner ainda não ter decolado.
Segundo a PF, não foi possível identificar o proprietário formal da aeronave, embora as investigações apontem que Vorcaro exercia controle sobre ela.
As trocas de mensagens mostram Vorcaro cobrando informações de Berg às 17h15. Após ligação de voz, o banqueiro foi informado de que a aeronave, com Jaques Wagner a bordo, já havia decolado com destino à Bahia.
Na sequência, às 18h18, Vorcaro pergunta sobre a previsão de chegada. Três minutos depois, às 18h21, Berg responde que os ocupantes já haviam desembarcado e que um deles seguia “de táxi para sua casa”.
Segundo as mensagens, o banqueiro demonstrou preocupação com a discrição da operação e determinou que tomassem cuidado em relação ao hangar utilizado na Bahia, recomendando que a aeronave fosse levada para um local mais reservado.
O interlocutor informou que havia alterado o hangar inicialmente previsto e estacionaria a aeronave em outro ponto. Em seguida, Vorcaro reforçou as orientações para manter a discrição.
“Cuidado com o hangar lá na Bahia. Coloca em algum que não dará conversa fiada”, escreveu Vorcaro. “Algum que ninguém conheça. E tira avião rápido de lá. De volta pra cá. Nem apaga o motor.”
Segundo Berg, havia quatro pessoas a bordo da aeronave – entre as quais, Jaques Wagner, ex-líder do PT.
Investigações
Segundo a PF, Jaques Wagner embarcou em aeronaves controladas por Vorcaro e por seu sócio, Augusto Ferreira Lima, como parte de suposto padrão de recebimento de vantagens indevidas.
De acordo com a investigação, o senador utilizava as aeronaves privadas gratuitamente, sem qualquer registro de pagamento ou contraprestação. A PF aponta que os voos não estavam associados à prestação de serviços, mas ao cargo exercido pelo parlamentar.
A apuração também sugere que a cessão das aeronaves ocorria dentro de uma lógica de “contrapartidas recíprocas”. Segundo a PF, o senador teria exercido o mandato de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master em pautas legislativas e temas regulatórios.