
Grande parte dos prefeitos ainda insiste em um equívoco básico: enxergar a comunicação pública como despesa supérflua, e não como ferramenta essencial de gestão. O resultado é uma combinação perigosa de invisibilidade administrativa e desgaste político.
Ao evitar investimentos em divulgação institucional e manter दूरी da imprensa, muitos gestores acabam isolando suas próprias ações. Obras são realizadas, programas são executados, mas a população simplesmente não toma conhecimento — ou recebe informações fragmentadas, sem contexto e sem credibilidade.
Com o avanço das redes sociais, a distorção se agravou. Em vez de estruturar uma comunicação profissional, parte dos prefeitos opta pelo improviso: vídeos caseiros, discursos centrados na própria figura e conteúdos que mais parecem exercícios de vaidade do que prestação de contas. Falam para a câmera, mas não dialogam com a população. Repetem mensagens, mas não informam. Tentam convencer, mas não constroem confiança.
Há exceções, é verdade. Alguns gestores compreendem o papel estratégico da comunicação, articulam bem suas mensagens e utilizam os meios digitais com eficiência. No entanto, a maioria ainda tropeça na superficialidade e no personalismo.
O desfecho é conhecido: ao final dos mandatos, a percepção pública é fraca, o reconhecimento é limitado e o legado se dilui. Sem comunicação clara, contínua e profissional, até boas gestões se perdem no ruído.
Mais do que um erro técnico, trata-se de uma falha de visão. Comunicação não é gasto — é ponte. E quem se recusa a construí-la governa, inevitavelmente, no isolamento.