
A paisagem política de Eunápolis, Porto Seguro e dos municípios que compõem a Costa do Descobrimento revela um cenário preocupante: a persistência de velhas lideranças incapazes de ultrapassar a superficialidade de discursos fracos e a conveniência de práticas antigas, desde os tempos do velho ACM.
Não se trata apenas de ineficiência — trata-se de uma política nanica vc e crônica. Ao longo dos anos, consolidou-se um padrão marcado pela subserviência, pela retórica insossa e pela recusa sistemática em enfrentar, com a devida firmeza, os problemas estruturais que assolam a região e o todos os cantos.
O que se vê são figuras públicas que optaram pela zona de conforto da bajulação e do alinhamento automático, abdicando do papel essencial de representar, questionar e defender os interesses da população. A ausência de posicionamentos claros e de cobranças contundentes tornou-se não exceção, mas regra geral. Vejam as figurinhas que estão rondando.
Essa postura não é neutra — ela produz efeitos concretos. Alimenta um ciclo perverso no qual a pobreza se expande, a criminalidade se enraíza e os abismos sociais se aprofundam, enquanto o poder público se mostra incapaz — ou desinteressado — em reagir à altura dos desafios. Milhares já morreram vítimas não dá fome, mas de assassinatos que brotaram na miséria social.
A repetição desse modelo, sustentado por métodos ultrapassados e por uma lógica política que privilegia a autopreservação, revela não apenas esgotamento, mas uma preocupante falência moral. Trata-se de um sistema que se retroalimenta da própria inércia, impermeável a mudanças e alheio ao clamor social. Que nos parece mudo. Silencioso.
O resultado é uma desconexão cada vez mais evidente entre representantes e representados. As lideranças, esvaziadas de legitimidade, sobrevivem mais por engrenagens institucionais do que por respaldo popular — enquanto a população, por sua vez, oscila entre o desalento e o descrédito.
Não há mais espaço para disfarces retóricos, enganações, sorrisos falsos, dedões de tinindo, beijos e corações. A realidade impõe um veredito duro: sem ruptura com esse padrão viciado, antigo e mofado a política regional seguirá sendo parte do problema — jamais a solução.