
A inadimplência das famílias subiu 0,2 ponto percentual em fevereiro contra janeiro e encerrou o mês anterior em 5,2%, mostram dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira, 30. Já o endividamento da pessoa física ficou estável
em fevereiro em relação ao mesmo número reportado em janeiro, que foi de 49,7%.
Nos últimos doze meses até fevereiro, houve um aumento de 1,1 ponto percentual do endividamento das famílias, com o indicador indo de 48,6% para 49,7%. O comprometimento de renda subiu 0,1 ponto percentual no mês e 1,6 ponto
percentual em doze meses, alcançando 29,3%.
A inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional aumentou 0,2 ponto percentual no mês, alcançando 4,3%, com avanços de 0,2 ponto percentual na inadimplência de pessoas jurídicas, que chegou a 2,6%.
No crédito com recursos livres, a inadimplência aumentou 0,2 ponto percentual no mês, alcançando 5,5%, com aumentos equivalentes nas carteiras de pessoas jurídicas e de pessoas físicas. A alta da inadimplência acontece em meio ao cenário
de juros elevados e forte endividamento das empresas e famílias.
Crédito fica mais restritivo
Em meio a esse cenário, o crédito apresentou menor ritmo de crescimento, com acréscimo de 9,6% ante 10,1% até janeiro deste ano. Na mesma base de comparação, variações de 7,1% ante 8,3%, no crédito às pessoas jurídicas, e de 11,2% ante 11,3%, no crédito às pessoas físicas.
O estoque das operações de crédito do SFN alcançou 7,1 trilhões de reais em fevereiro, assinalando crescimento mensal de 0,4% (+0,6% no crédito às famílias, estabilidade no crédito às empresas, com saldos respectivos de 4,5 trilhões de reais e 2,7 trilhões de reais).
O crédito com recursos livres cresceu 0,1% no mês e 7,7% em doze meses, totalizando 4,1 trilhões de reais. No crédito livre às empresas, o estoque de 1,6 trilhões de reais diminuiu 0,3% no mês e avançou 0,9% em doze meses. Foram determinantes as reduções em desconto de duplicatas e outros recebíveis (-2,2%), antecipação de faturas de cartão de crédito (-1,5%) e de financiamento às exportações (-0,8%).
No crédito às famílias, saldo de 2,5 trilhões de reais, com incrementos de 0,3% no mês e de 12,6% em doze meses. No crédito às pessoas físicas, avanço disseminado entre as principais modalidades, com destaque para crédito consignado privado (+5,9%), aquisição de veículos (+1,3%), crédito pessoal não consignado (+1,2%) e crédito consignado para beneficiários do INSS (+1,5%). No cartão de crédito à vista, redução de 2,9%, influenciada pela ocorrência de três dias úteis a menos no mês em relação ao mês anterior.
O estoque de crédito direcionado alcançou 3,1 trilhões de reais em fevereiro, com incrementos de 0,8% no mês e de 12,2% em doze meses. O crédito direcionado às empresas alcançou 1,1 trilhão de reais, com altas de 0,6% no mês e de 17,7% em
doze meses. Na mesma ordem, o crédito direcionado às famílias aumentou 0,9% e 9,5%, atingindo 2,0 trilhões de reais, com destaque para a expansão da carteira de financiamento imobiliário com taxas reguladas (+0,8%).
As concessões nominais somaram 602,3 bilhões de reais em fevereiro. Com ajuste sazonal, as novas contratações recuaram 0,5% no mês, com diminuição de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e aumento de 0,3% nas operações com pessoas físicas. No acumulado em doze meses até fevereiro de 2023, as concessões nominais cresceram 8,2%, sendo 8,1% no crédito às empresas e 8,3% no crédito às famílias.
A taxa média de juros das concessões avançou 0,3 ponto percentual no mês e 2,6 pontos percentuais em doze meses, situando-se em 33,0% ao ano. O spread bancário alcançou 22,1 ponto percentual, com acréscimo mensal de 0,5 ponto
percentual e de 2,8 pontos percentuais em doze meses.
No crédito livre às famílias, taxa média de juros de 62,0% ao ano, alta anual de 5,4 pontos percentuais, com predominância do efeito da variação das carteiras (efeito saldo) em relação ao das taxas (efeito taxa). Destacou-se a elevação da taxa média
das operações de cartão de crédito rotativo (+11,4 pontos percentuais).
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