
A decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de aprovar um financiamento de R$ 200 milhões para a Veracel Celulose voltou a colocar no centro do debate o modelo de desenvolvimento adotado no extremo sul da Bahia.
O recurso será destinado ao plantio e manejo de 22,7 mil hectares de eucalipto, com atuação em municípios como Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália — regiões onde a presença da monocultura de eucalipto já é consolidada há décadas.
Desenvolvimento ou dependência?
Embora o discurso oficial destaque geração de emprego, sustentabilidade e fortalecimento da bioeconomia, especialistas e lideranças locais questionam até que ponto grandes financiamentos públicos para empresas já consolidadas contribuem, de fato, para o desenvolvimento regional.
Na prática, o modelo baseado na monocultura do eucalipto é frequentemente criticado por:
-concentrar terras
-gerar poucos empregos diretos
-pressionar recursos hídricos
-limitar a diversificação econômica
Para críticos, o investimento reforça uma lógica histórica de dependência econômica da região em relação a grandes grupos empresariais.
Dinheiro público, benefício privado?
Outro ponto sensível é o uso de recursos públicos para financiar grandes corporações. O BNDES argumenta que o projeto atende critérios ambientais e de sustentabilidade, além de impulsionar exportações.
Por outro lado, há questionamentos sobre a prioridade desses recursos, especialmente em uma região que ainda enfrenta desafios estruturais como:
-infraestrutura precária
-baixa industrialização
-desigualdade social
Silêncio político
Apesar da relevância do investimento, chama atenção a ausência de posicionamento mais firme por parte de lideranças políticas regionais. Prefeitos, deputados e representantes locais pouco têm se manifestado sobre os impactos de longo prazo desse tipo de iniciativa.
Um debate que precisa avançar
A ampliação das áreas de eucalipto com apoio estatal reacende uma discussão necessária: qual modelo de desenvolvimento o extremo sul da Bahia quer para o futuro?
Entre o crescimento econômico baseado em grandes projetos e a busca por uma economia mais diversificada e inclusiva, a região segue diante de um dilema antigo — agora reforçado por mais um aporte milionário

