
O Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FAB) chega a Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália (BA), como um marco para a valorização da cultura dos povos originários, o fortalecimento da geração de renda e a ampliação do turismo cultural no extremo sul da Bahia. O FABI nasce com vocação para ser vitrine e plataforma de negócios para o artesanato indígena, estimulando cadeias produtivas sustentáveis e a circulação direta de renda entre os próprios artesãos.
Entre os protagonistas da primeira edição do evento está o artesão Pataxó Fernando Carvalho, 41 anos, conhecido pelo nome indígena Oiti Pataxó, referência na aldeia por seu ofício e trajetória dedicada à arte desde a juventude. “Desde dos meus 14 anos de idade já trabalho com a arte de fazer artesanato”, afirmou Fernando, cuja produção expressa memória, identidade e ancestralidade.
Nascido e crescido na aldeia Coroa Vermelha e oriundo da Reserva Pataxó da Jaqueira, Oiti Pataxó representa uma geração de artesãos que transformam a matéria-prima e o conhecimento tradicional em peças que contam histórias, preservam saberes e sustentam famílias. Ele destaca que o FABI é uma oportunidade concreta de ampliar a visibilidade dos territórios e do patrimônio cultural Pataxó, alinhando tradição, trabalho digno e autonomia econômica por meio da Economia Solidária. Para ele, atrair públicos diversos e qualificados ajuda a difundir a riqueza cultural do povo Pataxó, estimular o consumo consciente e incentivar o retorno de visitantes ao longo de todo o ano, fortalecendo o ecossistema local de cultura, turismo e comércio justo. “A primeira expectativa minha é de que venham mais visitantes para a nossa região, aqui de Santa Cruz Cabrália, localidade Coroa Vermelha”, destacou.
Em um mesmo espaço, o público encontra produtos autorais, técnicas tradicionais, processos de criação e histórias de vida que explicam por que o artesanato é também ferramenta de preservação cultural e de afirmação identitária. No caso de Fernando, cada peça carrega o território e a memória dos seus mais velhos, aprendizados que atravessam gerações e que encontram no festival um ambiente de respeito e reconhecimento.
A Economia Solidária, eixo central do FABI, favorece relações de produção e comercialização baseadas em cooperação, transparência e preço justo, fortalecendo redes de artesãos e promovendo a autonomia de quem vive do próprio trabalho. Ao aproximar quem faz de quem compra, o Festival contribui para qualificar o mercado do artesanato, valorizar técnicas tradicionais e estimular novas parcerias com instituições, lojistas, designers e curadores. Essa construção coletiva amplia a agenda de oportunidades para os expositores, ao mesmo tempo em que educa o público para práticas de consumo responsáveis e com impacto social positivo.
O Festival acontece de 6 a 8 de fevereiro, e a programação contempla feiras de artesanato e economia solidária, exposição fotográfica, rodas de conversa, cozinha show, desfile de moda artesanal e apresentações culturais, incluindo o show do cantor e rapper Xamã, no domingo (08/02).
O I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária (FABI) é uma realização do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) e da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA), em parceria com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi); a Federação das Associações de Artesanato do Estado da Bahia (FAAEB); o Centro Público de Economia Solidária (CESOL); a Associação de Assistência à Produção e ao Desenvolvimento Sustentável (AAPDS); a Prefeitura Municipal de Santa Cruz Cabrália; a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia (Finpat); a Associação Beneficente Ilê Axé OjuOnirê; o Instituto Convida; o Instituto Curupira e o Instituto Brasileiro do Desenvolvimento do Esporte e Cultura (IBDE).
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