
A Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) não chega a um consenso sobre a crise na Venezuela e a reunião realizada neste domingo (04) entre chanceleres da região termina sem consenso.
O racha no continente impediu que uma declaração final fosse adotada e escancarou a ruptura da existência de um projeto comum de segurança ou de garantia de zona de paz.
A divisão política da região estava no cálculo do governo de Donald Trump que, diante de uma América Latina sem uma posição conjunta, sabia que teria uma resistência menor ao realizar a operação contra Nicolas Maduro.
O encontro, em caráter ministerial, confirmou a falta completa de um consenso entre os governos latino-americanos sobre o que representou a ofensiva militar da Casa Branca. De um lado, aliados de Trump, como Argentina, Paraguai, Equador e El Salvador, foram contrários a qualquer condenação ao ato dos EUA e usaram a reunião para comemorar a queda de Maduro.
Durante o encontro, vários dos discursos desses países chegaram a usar os mesmos termos empregados por Trump para se referir ao ex-presidente Maduro, hoje detido em Nova York.
Já os chanceleres do Brasil, México, Uruguai, Chile e Colômbia insistiam em condenar os ataques dos EUA e alertar para o precedente que poderia ser aberto diante da operação.
Antes do encontro, um comunicado conjunto lançado por esses países apontou para ilegalidade da ofensiva.
Ao ICL Notícias, o governo brasileiro admitiu que não esperava que um acordo fosse possível na CELAC. Mas fontes afirmaram que deixaram a reunião com uma noção clara da dimensão do racha na América Latina.
Próximos passos diplomáticos
O fracasso da região em chegar a uma posição conjunta ocorre um dia antes de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. No encontro em Nova York, a ação americana deverá ser questionada. Mas o encontro vai servir, acima de tudo, para que a comunidade internacional possa tomar a temperatura da dimensão da resistência que pode existir diante da ofensiva militar dos EUA.
Não se prevê a votação de uma resolução.
Já na terça-feira, será a vez de a OEA convocar sua reunião de emergência para lidar com a crise. Mas, seguindo o mesmo roteiro do encontro da CELAC, a possibilidade de um consenso é mínimo.